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sábado, 17 de maio de 2014

MUDANÇA RADICAL NA VIDA: passo a passo de como se pode fazê-la


Você sente que precisa mudar radicalmente sua vida? Sabe que precisa mas tem medo das consequências e mudanças que acarretarão? Não quer se desapegar de coisas ou pessoas que sabe que tem que deixar para trás? Talvez lendo este texto você consiga refletir melhor sobre como e o que fazer.
Primeiro digo que este é um texto longo, então leia-o com tempo. Usarei da maneira mais clara vários conceitos de Psicologia analítica (e por isso preciso explicá-los para que você entenda, ao final, o que realmente quis passar através desta página). Apesar de não representar diretamente o que diz este ou aquele autor específico... trata-se de meu ponto de vista pessoal. No entanto, aceito as contribuições que demais amigos e amigas possam oferecer, bastando acrescentar ao final da página.
Fi-lo em forma de etapas, não porque goste assim, mas para facilitar o pensamento e as ações, e permita que você prossiga neste processo visualizando suas etapas, sua evolução, e desta forma perceba quando está ‘travado(a)’ em algum ponto dele.
Finalmente, sugiro que você leia os demais textos do site, em especial os que publico todos os sábados sobre conceitos de Psicanálise e Psicologia. Estarão interligados a este, e te ajudarão a entender como funciona sua Psique. O da próxima semana, por exemplo, é muito importante para que você entenda melhor como o inconsciente nos ajuda, e que nem tudo que acreditamos ser ruim (pesadelos, fantasias, desejos que não podemos realizar) na realidade podem nos ajudar a conhecermos a si próprios.

Passo 1: Sentindo a necessidade de mudança
Várias podem ser as sensações que lhe indiquem a necessidade de mudança. Podem ser desde vagas sensações a claros desejos de abandonar tudo e recomeçar do zero. Em geral, quando esta necessidade é real, ela sofre um aumento gradual e constante: enquanto você não mudar o que precisa ser mudado, você não terá paz interna.
Mas o que significaria ‘paz interna’? Eu dou este nome, mas você pode chamar de equilíbrio interno, bem estar, sensação de estar no seu lugar... etc. Seria o sentimento de pertencer ao seu tempo, e ao lugar em que está neste momento. Sentir que, mesmo passando por diversas dificuldades e problemas, você PRECISA passar por eles como qualquer outra pessoa precisaria para evoluir e se tornar alguém melhor.
Esta paz interna não está relacionada a momentos ‘sem problemas’. Pelo contrário: só conseguimos ter certeza dela quando temos dificuldades a resolver, muitas sem depender de nossa vontade, e no entanto, lidamos com elas como algo natural da vida.
Você sentirá que não está em seu equilíbrio quando acordar várias vezes com um sentimento (vago ou claro) de ansiedade ou angústia (preste sempre muita atenção à primeira sensação que tem ao acordar... ela reflete muito sobre seu interior). Também sentirá que não fica feliz ou contente com coisas que antes te deixavam feliz. Perceberá que se tudo continuar como está, não há perspectiva que você se sinta melhor em algum prazo delimitável (não falo aqui do desejo que algo ‘caia do céu’ e mude tudo... e sim de uma visão crítica e realista de como as coisas estão se encaminhando em sua vida). Onde seus problemas atuais irão acabar, da forma como estão?
Você perceberá que no momento não tem forças para lutar por coisas pelas quais sabe que deveria estar lutando, e que em outros tempos te faziam mover montanhas. Sentirá como se houvesse um buraco negro dentro de seu peito, que lhe suga sua energia... e que você está angustiado(a) para agir antes que toda a energia que ainda lhe resta vá pelo ralo.
Não é importante, neste momento, saber qual é o problema que lhe aflige. Até porque, é muito provável que não seja exatamente o que você acha que é. Tenho certeza que se você soubesse o ponto certo a concertar ou já teria agido ou já teria se conformado, não é verdade? Então, por este motivo, é necessário o segundo passo.

Passo 2: entendendo como sua mente chegou neste ponto
Como não pretendo (ainda...) publicar um livro sobre conceitos de psicologia, vou usar de diversas analogias (algumas podem parecer estranhas em um primeiro momento), para que facilmente você entenda como várias linhas de psicologia entendem  que funciona sua psique. Você perceberá que quase todas as analogias se parecem com outras áreas da ciência, em especial a astronomia (como a teoria do Big Bang... até já citei um buraco negro acima, não e?). Isto ocorre porque a Psicologia a muito tempo já sabe que muitos conceitos que criamos na ciência partem de visões ‘antropomórficas’ do próprio ser humano.
Ou seja: só conseguimos explicar coisas que não entendemos a partir de como o ser humano sabe (muitas vezes de forma inconsciente) que funciona sua própria mente, por dentro! A teoria do Big Bang (apenas uma de diversas formas de explicar a origem do universo) seria na realidade a forma como cada ser humano sabe inconscientemente que se formou sua própria mente, desde sua gestação até agora. E esta também seria uma repetição de como a raça humana se desenvolveu desde o primeiro ser vivo unicelular até o primeiro homo sapiens, processo de milhões de anos, repetido a cada gestação e crescimento de cada humano.
Agora então, vou lhe dar uma versão de como sua mente se formou. Desde sua geração, na barriga de sua mãe, você já tinha um inconsciente. Imagine este inconsciente como o núcleo do universo (tanto física quanto virtualmente). Tudo que você seria estava em um minúsculo ponto, concentrando seu próprio universo reduzido.
Conforme você foi crescendo, já antes de nascer (ainda durante a gestação), pequenos estímulos foram aos poucos atingindo este núcleo. Nada que o alterasse profundamente (ainda), mas digamos que estes estímulos foram ‘aquecendo’ ou ‘esfriando’ um pouco este núcleo de tudo. E eis que chega o momento de seu nascimento, quando o maior choque de sua vida (nascer) ocorre! Ocorre o Big Bang! A enorme explosão, este núcleo se expande e cria milhares, milhões de estrelas!!! Cada qual uma personalidade em potencial, um possível ‘eu’ para você!. Mas no centro de tudo isto, ainda haverá um grande núcleo ainda (a explosão não é suficiente para desfragmentá-lo totalmente), uma gigantesca estrela, ao redor da qual todas as outras estrelas e planetas circularão, mesmo sem perceber...
Por razões diversas (tenho minha opinião própria sobre isto, semana que vem falarei um pouco mais sobre isto) uma destas pequenas estrelas começa a brilhar mais. Esta será seu ‘ego’, quem você acredita ser. Os estímulos do ambiente, somados à própria constituição original desta estrela (quem você sempre foi e sempre será, sua constituição inata) fazem esta estrela a mais brilhante dentre as outras menores, fazendo com que, para os planetas que estão mais próximos, ela pareça mais brilhante do que aquela estrela enorme, do centro da galáxia, onde tudo se originou.
A estrela central é o SELF, o centro do inconsciente. A menor, que passa a brilhar mais é seu EGO, quem você acha que é. As demais estrelas menores são seus complexos: personalidades parciais e potenciais, quem você ‘poderia’ ter sido mas não é. Elas vivem dentro de você, cada qual com sua luz própria... e todos querem poder brilhar, apesar do EGO querer sempre dominar tudo.
Daí você já percebe que começa a existir as contradições dentro de sua própria Psique, não é mesmo? Antes da Grande Explosão, sua mente era totalmente indiferenciada: tudo era igual, tudo fazia parte do TODO, a grande massa de energia e matéria que formava o núcleo de seu universo. De repente, após a explosão, o EGO é criado, e como ele ‘acha’ que é você, ele passa a controlar seu corpo e sua ‘consciência’ (que seria o espaço do Sistema Solar, por exemplo). Ele se acha tão importante, e tem tantos problemas a resolver durante sua formação e desenvolvimento (chuva de meteoros, estabilização da órbita e de sua própria massa, fusão e separação de planetas em sua órbita...) que ele nem sequer tem tempo de se preocupar com o grande centro de todo este Universo, e o que há lá.
Esta preocupação com sua própria estabilização pode ser resumida em: busca de proteção e sociabilização. É o que passamos grande parte de nossa vida, desde nossa infância, buscando. Buscamos o amor de nossos pais, sua proteção, a aceitação da sociedade em que vivemos. Isto é tarefa do Ego. Também conduz para a diferenciação (a marca do EGO): cada coisa em seu lugar, cada uma com seu significado, estabilidade, previsibilidade, CONTROLE! Afinal, depois de tanto sacrifício, ele quer ter paz, não quer que nenhuma grande explosão ocorra novamente. Cada coisa em seu lugar, e mesmo quando já estiver, seus olhos estarão fixos de olho em qualquer coisa que se movimentar ameaçadoramente, para que sua mão possa colocá-la no devido lugar novamente, à força! Este é o EGO.
Mas depois da adolescência (que para alguns pode durar a vida toda), a regra é que nosso EGO já esteja estabilizado. Porém, durante algum tempo ainda nos preocupamos com esta estabilização e aceitação social, mesmo depois de conseguir atingi-la. Não basta ter um carro, tem que ser o mais caro. Não basta o celular, tem que ser o melhor celular. Querer uma casa maior,  mais fama, ser mais amado e mais querido. É natural e normal querermos isto. Mas com o tempo (muito antes do que desejamos) isto já não bastará. Mas grande parte das pessoas ignora o vazio que sentirá quando atingirá esta fase, pois tentará preenchê-la com tudo que encontrar pela frente.
Imagine, ainda em nossa analogia, que o Sol (EGO) perceba que ele não controla totalmente sua órbita. Que ele circula algo maior, mais poderoso e mais forte, de onde ele mesmo veio. Que contem sua essência, a chave de sua própria energia. Pela própria forma como é constituído, o EGO sabe que sua energia está se acabando, e o que lhe sustenta vem desta fonte original. Mas ele sabe que para voltar a ela, a estabilidade de sua órbita, a ordem dos planetas ao seu redor, tudo pode ter que mudar. Pode até ter que ocorrer uma nova explosão!!!!
Eis você na sua atual fase...

Passo 3: Onde foi que você errou? (no próximo sábado)...

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