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sábado, 10 de maio de 2014

O que é o INCONSCIENTE? Qual seu PODER sobre nossa MENTE? Saiba mais!

“O inconsciente é a outra vida que habita em nós, a qual desconhecemos diretamente, nem sequer fala a nossa língua, mas nos dirige e nos aterroriza todas as noites em nossos sonhos” (Phill Mollon). No final do século XIX, o presidente do Parlamento Austríaco iniciou seu discurso com as seguintes palavras: “percebo que há quórum, portanto declaro a sessão ENCERRADA!”. Logo se retificou, mas o ‘pequeno’ lapso, que passaria despercebido para a maioria das pessoas, revelou seu desejo secreto (inconsciente) de que não houvesse aquela sessão (as sessões anteriores haviam sido muito tumultuadas, e provavelmente ele estava cansado disto).
Geralmente ignoramos, achamos engraçado, ou até normal pequenos lapsos, erros, omissões... mas elas não passam em branco para quem conhece alguns segredos da mente humana. O primeiro a pesquisar sistematicamente o conceito foi Freud. Analisou lapsos na fala e na escrita, falhas de memória, ações confusas, e até mesmo piadas (sim, a coleção de Freud possui um volume apenas de piadas, ou melhor, CHISTES), e construiu a grande base da teoria da psicanálise nos níveis mais profundos da mente. Ao contrário do senso comum, descobriu que há sim uma intenção secreta nestas pequenas falhas (algumas não tão pequenas assim...).
Diga-se de passagem que, como o inconsciente é formado por tudo que é renegado pela consciência, é tido como sem valor, negativo, besteira, bobagem...
quase sempre envolve algum aspecto inconsciente, as vezes de grande importância. Mas justamente por ser algo importante mas que não se gosta de comentar é que está no inconsciente, e muitos não acreditam que sequer existe tal ‘entidade’, e que ela seja capaz de comandar suas vidas. Todos gostam de pensar que são donos do próprio nariz, e que fazem exatamente o que pensam. Para estes, descobrir que existe algo extremamente poderoso em sua mente, capaz de controlar todas as suas vontades e desejos (e consequentemente suas ações e comportamento) seria destruir toda sua ilusão do que é a vida. Infelizmente muitos terão que continuar nesta ilusão, pois não suportariam dialogar com os conteúdos renegados. Mas é possível ter pelo menos um mínimo contato com ele, para que seu ego saiba que não está sozinho... e como não está!!!
Da mesma forma que os buracos negros na astronomia, a existência do inconsciente é uma hipótese (é impossível ter sua comprovação material) mas é unânime sua aceitação na psicologia, tamanha a quantidade de provas de sua existência.
Em primeiro lugar, é impossível explicar todo nosso comportamento apenas pelo que temos consciência. Com um mínimo de bom senso você já deve ter percebido isto em si próprio, não é mesmo?  E quanto mais você percebe conteúdos semi-ocultos na sua consciência (uma leve percepção de suas intenções interiores... que estão em uma espécie de pré-consciente como Freud dizia, ou subconsciente...) mais você tem a sensação de que existe mais e mais coisas que você não sabe porque estão ali, percebe o quanto elas te influenciam, e de acordo com seus conteúdos, estarão fechadas à chave, escondidos, enterrados, camuflados... e não é à toa.
Eles estão ali porque sua consciência e, principalmente, seu ego (a sua noção de si mesmo, de quem você é) seriam seriamente abaladas se tivessem que compartilhar do mesmo espaço. Por exemplo: vivemos em uma sociedade em que espera-se dos homens determinados comportamentos e atitudes, diferentes das mulheres, e vice-versa. Pois ambos são capazes dos mesmos comportamentos. Durante seu desenvolvimento e aprendizado, o comportamento que lhe é oposto vai sendo bloqueado na consciência, e indo para o inconsciente. Esta ida pode ser traumática ou não. Se for traumática, este conteúdo pode ficar bloqueado e inacessível diretamente pela consciência, ou então ir se fortalecendo através de afetos (fortes emoções), virar um complexo (chamamos de complexo ideo-afetivo, em que se misturam os afetos com ideias, que são fortemente capazes de influenciar seu comportamento sem você perceber).
Mas os que estão à nossa volta são capazes de perceber, por maior que seja o bloqueio de nosso inconsciente para o acesso de nossa consciência. Aí que entra o papel do psicanalista: ele tenta lhe mostrar qual é este conteúdo. Desta forma, ele conseguirá aproximar este conteúdo de sua consciência e o desenergizará (afetará menos seu comportamento, sem a sua vontade). Resumindo: psicanálise existe para lhe dar a liberdade de escolha, a verdadeira escolha, que talvez você não esteja tendo, mas nem sabe que não está!
Mas esta tarefa é colossal: mesmo que outras pessoas tentem mostrar, é comum existir a resistência consciente da pessoa para ‘integrar’ o conteúdo inconsciente na consciência. São necessárias diversas sessões, ás vezes quase toda uma vida para integrar alguns conteúdos. Há três mecanismos básicos de defesa, responsáveis por manter os conteúdos inconscientes permanentemente neste estado:
  1. Repressão: expulsar o conteúdo consciente para o inconsciente. Uma criança que passou por um grande constrangimento pode se tornar um adulto extremamente tímido, ou antissocial, por exemplo.
  2. Projeção: quando se atribui a outra pessoa algo indesejável em si. É o mecanismo do racismo, do preconceito, da busca de um culpado (bode expiatório), ou mesmo quando se trata mal quem quer lhe ajudar (muito comum de acontecer, em especial nos ramos da psicologia e psicanálise).
  3.  Racionalização: muito comum em pessoas com razoável nível intelectual, elas procuram justificar para si próprias e para as demais pessoas, através de faltas motivações (só inconscientemente elas sabem que são falsos) seus comportamentos, pensamentos e atitudes distorcidos. São mentiras nas quais procuramos acreditar para não termos que enfrentar nossas grandes verdades. 
O ganho pessoal após esta ação é incomensurável: o gasto de energia que deixará de existir, por conta da baixa das defesas da consciência se protegendo destes conteúdos, podem ser parcialmente usados em tarefas que realmente a pessoa deseja. Chama-se ‘sublimação’. Mas para chegar a tal ponto, além de integrar os conteúdos a pessoa deve descobrir o que realmente ela quer de sua vida, o que busca verdadeiramente. Sem isto, estará deixando de obedecer a um complexo inconsciente, para obedecer a outro, que tomará o lugar do anterior.

Além disto temos que lembrar que há casos em que o conteúdo inconsciente se manifesta somaticamente, ou seja, no corpo da pessoa, seja através de uma paralisia (Freud e Jung estudaram diversos casos de conversão de sintomas histéricos em paralisias), ou doenças, dores pelo corpo, e também relacionadas a fobias e repetições rituais (síndrome de toque).
A via régia (melhor forma) de acessar o inconsciente é através dos sonhos, porque nele o consciente pouco pode se defender dos conteúdos inconscientes. Digo pouco, porque conteúdos muito fortes podem ser capazes de nos acordar, assustados, ou de não nos lembrarmos quando acordamos. Enquanto estamos acordados, o consciente está sobre total controle de nossos pensamentos, e o inconsciente está ‘enjaulado’, murmurando tão baixo que mesmo que o consciente fizesse silêncio (meditando, por exemplo), ainda assim, seria necessário grande esforço para percebê-lo (existe um exercício chamado ‘imaginação ativa’ em psicologia analítica, com este procedimento... em breve falarei mais dele).
Veja que uma das funções do sonho é permitir, sob um ambiente quase que neutro dos bloqueios da consciência, que ele possa tentar um ‘contato’ com conteúdos que ele expulsou. A intenção destes conteúdos é participar da consciência, mas nem todos eles o conseguirão. Para facilitar este contato, em geral os conteúdos inconscientes não surgem diretamente, pois desta forma poderiam ser esquecidos ou imediatamente ignorados pela consciência onírica. Eles se utilizam de símbolos, imagens, analogias, em que todos possuem um significado oculto que leva ao conteúdo reprimido.  Por este motivo os sonhos possuem significados disfarçados, que podem ser descobertos através de associações de significados (que nunca são fixos), a partir da experiência do sonho (o que é patente, imediato) e, aí sim, tentar chegar-se ao conteúdo latente (o que foi encoberto, seu desejo, vontade, trauma oculto).
Freud logo descobriu que os sonhos das crianças são mais curtos, objetivos e simples de entender, se comparado aos sonhos dos adultos. Isto comprova que os traumas da vida vão nos fazendo desenvolver cada vez mais defesas, e estas são cada vez mais complexas, a ponto de tornar cada dia mais difícil acessar alguns conteúdos inconscientes. Também por este motivo os traumas infantis, se não tratados, podem criar gigantescos complexos nos adultos. Eles vão crescendo e se fortalecendo, longe da percepção da consciência, e podem influenciá-la e até controlá-la, dependendo de seu nível afetivo.
Quanto aos sonhos dos adultos, são tão complexos que mesmo a mais elaborada das interpretações deve sempre estar aberta a reavaliações e incrementos. Nunca uma análise de sonho estará completa. Em um sonho apenas, em geral há conteúdos do inconsciente pessoal (do sonhador) relacionados ao seu dia a dia, aos seus desejos futuros, a seus bloqueios de infância, etc... tudo condensado em apenas um sonho. Também poderá conter elementos do inconsciente coletivo, com significado para toda a raça humana). Ou seja, pode haver mais de uma interpretação válida, em vários níveis de análise.
Concluindo, você tem MUITO material, caso seja curioso, para pesquisar, dentro de si próprio(a). A complexidade aumenta conforme você vai se aprofundando sobre o que descobre. Ao mesmo tempo em que isto ocorre, em geral ao longo de um processo de terapia, você vai entendendo mais sobre o funcionamento de sua mente, a origem e a lógica de seus sentimentos e desejos, e ganhando, desta forma, mais independência em suas escolhas e possibilidade de ser quem realmente você é.
Pense nisso. Descubra mais de você. É certo que se surpreenderá, e verá o universo infinito que há dentro da sua própria mente!
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