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terça-feira, 27 de maio de 2014

Pergunta 22: O que você busca em um bom amigo?

O que é um bom amigo para você? Aquele que sempre te elogia? Ou o que critica mas respeita você e sua opinião? Já parou para pensar o quanto esta outra pessoa lhe faz bem? Ou mal? Pois geralmente a relação que temos com quem consideramos amigo(a) é a mesma que possuímos com nossa própria pessoa. Explico: se você busca amigos que te ajudam a ser alguém melhor (ao invés daqueles que te levam para o mal caminho), provavelmente você é alguém que se aprecia e se respeita, e que se preocupa com os rumos que dá para a própria vida.
Parece meio lógico, não é verdade? Mas isto só no papel.
Na vida real, temos que um ponto cego na percepção de nossos relacionamentos mais próximos, e também em como tratamos dos rumos de nossa vida. Por este motivo é importante refletirmos sobre a veracidade de uma opinião externa. E geralmente, o amigo é o primeiro, fora da família, que ouvimos. E exatamente por estar fora da família é que o amigo é um ponto de referência externo importante, pois não traz consigo, em geral, os mesmos complexos familiares que nossos irmãos, mãe e pai trazem, como nós.
Além disto, o amigo é alguém que escolhemos para nosso convívio, diferentemente dos pais, irmãos ou primos. Não estamos presos a ele, se o seguimos é porque gostamos de estar próximos, nos identificamos com suas decisões, atitudes, forma de pensar.
Esta identificação é muito reveladora, diga-se de passagem. O que nos aproxima de nossos amigos é exatamente algo que acreditamos que nos falta (e muitas vezes não falta, apenas devemos nos aperfeiçoar para que consigamos demonstrar melhor). Como vivemos em uma sociedade cheia de tabus ainda, e predominantemente machista, infelizmente, podemos afirmar que o amigo é, em termos atuais, a contrapartida, do mesmo sexo, de nossa cara metade. Falo isto porque é um grande tabu em nossa sociedade atual ter amigos(as) do sexo oposto, como se não fosse possível. Então, a projeção que realizamos sobre o amigo pode-se dizer que é, em alguns casos, até maior do que em alguns relacionamentos amorosos (sexual). Isto se dá porque na cabeça da maioria das pessoas, a cumplicidade que deve haver entre amigos é diferente da que há entre cônjuges (e na realidade, pode ser a mesma). Ser amigo(a) do cônjuge parece ser algo separado de ser cônjuge. Mais um tabu de nossa sociedade pretensamente desenvolvida.
Amigos são aquela parte da sociedade em que encontramos apoio e compreensão, as vezes até maior que na própria família. É aquele ‘estranho’ (de sangue) que lhe trata com confiança, respeito, e em quem pode confiar. Olhando por esta perspectiva, a existência destas características é que se chocam com o que acreditamos ser sociedade, e não o contrário. O que consideramos ‘normal’, a sociedade, é o que deveria ser exceção. E infelizmente por não ser assim, é que ‘amigo’ é algo raro, procurado, e nem sempre encontrado.
Será que não seria o ‘normal’ ter uma sociedade formada por pessoas que não se preocupam conosco, mentem, que não são confiáveis, que competem  sem limites e das quais não podemos esperar nada além do mínimo da convivência conjunta (e olhe lá...)? Pois a importância crescente do que consideramos ‘amigo’ é diretamente proporcional ao aumento do número de indivíduos à nossa volta nos quais não podemos compartilhar nem confiar. Pense nisso!

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