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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Pergunta 25: Pelo que você é mais grato(a)?

Esta é uma pergunta complexa e muito individual. Há uma infinidade de respostas, e convido meus leitores a escreverem abaixo do post a sua gratidão a alguém ou algo. Vale então falar sobre a gratidão.
É um dos sentimentos que melhor identificam a cooperação, a consideração pelo outro, o reconhecimento do papel das pessoas em sua vida, enfim, é um sentimento indicador do grau de percepção das relações sociais à sua volta. Gratidão é reconhecer o que o outro fez por você. Isto significa que ele diminui a possibilidade de uma ‘inflação de ego’: a pessoa achar que é autossuficiente, que é como um super herói, que pode tudo contra todos. Só este antídoto já dá à gratidão um papel inestimável, numa sociedade voltada à competitividade sem limites e sem pudor.
Se você é grato a alguém você compartilha psicologicamente a responsabilidade pelo seu sucesso, pelo que conquistou. Aí você percebe que sozinhos, podemos menos. Juntos, podemos mais e melhor.
A gratidão também cria uma ligação inconsciente entre as pessoas. Alguns povos nômades antigos da região do oriente médio tinham o costume, em suas caravanas de idas e vindas entre as regiões em que realizavam comércio, de ao encontrar outras caravanas pelo caminho, realizar troca de presentes e de notícias. Os bens materiais não tinham o mesmo significado e descartabilidade que tem hoje. O objetivo era criar uma gratidão mútua, uma ligação a cada novo reencontro, que, inicialmente, impedia uma caravana de saquear a outra, e com o tempo, criava laços de cooperação que mútuo auxílio que tornavam povos distintos de potenciais inimigos em praticamente irmãos.
Por fim, podemos ver na gratidão algo que vai em sentido contrário da relação fria comercial que existe em nossa sociedade capitalista atual. Desde que inventaram a moderna ciência econômica, vendedor não precisa ser grato ao comprador, nem vice-versa. É a ‘grande mão do mercado’ que faz comprador e vendedor se unirem. Pena que os ingleses, americanos e demais europeus que desenvolveram a moderna ciência econômica provavelmente nunca foram a um Bazaar original (ainda existentes) no Oriente, como os que existem no Marrocos, Turquia, e demais países árabes. A prática da negociação é uma forma de relacionamento. Nós podemos ver um pouco desta arte hoje ainda nas feiras livres que ainda sobrevivem mesmo em grandes cidades. Comprar em uma delas é muito diferente a ir em um hipermercado: há uma relação ali. Tanto que cria-se com o tempo uma amizade entre antigos clientes e feirantes. Pode-se notar claramente uma sensação de gratidão de ambos os lados, e um certo tipo de cooperativismo que faz com que ambos estejam dispostos a ter pequenos prejuízos de vez em quando, apenas pela manutenção da cooperação. Quem não sabe do que estou falando, procure uma feira próxima e passe a visitar regularmente, e entenderá na prática o que foi dito acima. Uma pena que a ‘avançada’ ciência moderna econômica não tenha abarcado coisas tão ‘ultrapassadas’... e tão necessárias ao ser humano de ontem e de hoje.
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