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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pergunta 4: Quando estiver tudo dito e feito, você terá feito mais do que dito?

Fala-se mais do que se faz, em especial hoje, na era da informação. Se a informação por si só fosse capaz de mudar o mundo (e as pessoas), então não precisaríamos de estradas, engenheiros, fábricas, estações de água e esgoto, barcos, agricultores, nada! Bastaria a internet. Mas o mundo não é assim, apesar de ainda várias crianças de hoje, que não acreditam mais no Papai Noel, ainda pensarem que o leite vem da caixinha do supermercado e não da vaquinha da fazenda...
Esquecemos que o caminho da palavra à ação não é tão curto a ponto de apenas proferirmos uma frase e algo acontecer no mundo real... ainda não vivemos na terra de Harry Potter.
O caminho mais curso entre um pensamento RACIONAL e uma ação, começa no Dado (informação bruta, a ser captada), Informação (já trabalhada, como um gráfico, uma tabela, um texto argumentativo), Conhecimento (informação aplicada a uma situação problema para criar uma solução ou explicar determinada causalidade, o que será útil em um outro momento), Efetividade (impactar a realidade, fazer algo sair de uma situação para outra, desejada, planejada, programada), e desenvolvimento / retroalimentação (continuar colhendo dados para aperfeiçoar as ações que estão sendo tomadas).
Está correto que grande parte deste circuito é composto por pensamentos e, este, em grande parte é verbal, palavras. Mas tudo não faria sentido se a realidade não sofresse uma mudança. De nada adianta pensar, planejar, falar, argumentar, se isto continuar no mundo das ideias, no mundo das palavras.
Mas além de ser mais confortável apenas falar (sem colocar as mãos na massa), também corre-se menos risco, o de errar. SÓ ERRA QUEM FAZ, é o velho ditado. E se não bastasse, voltamos (como no tempo dos Romanos) aos tempos do privilégio da Retórica, a arte de falar bem e convencer a um público. Parece que a cada dia temos mais bons argumentadores, em todos os lados, por cada esquina, mas cada vez menos ‘fazedores’. Com a informação circulando fácil e rápido na internet, colhe-se argumentos para qualquer tipo de tese, mais fácil do que um burro come capim. Fazer este capim gerar frutos, aí são outros quinhentos...
Temos hoje no mundo muito mais doutores e mestres do que em qualquer outra época da humanidade. Pessoas formadas em nível superior, o mesmo. Porém resta a impressão (sei que não sou o único a sentir assim) de que sair do mundo das ideias e aplicá-las na realidade é algo que todos querem terceirizar: todos são contra a corrupção, mas quando são postos numa situação que lhes afetem diretamente, são os primeiros a oferecer uma propina a algum agente público. Todos querem que se respeitem as pessoas idosas, mas é difícil ver em algum estacionamento a vaga de idosos ser utilizada reservadamente somente pelas pessoas da melhor idade. Todos sabem ser perigoso desrespeitar a sinalização de trânsito... mas reclamam da indústria das multas (que só existe porque a maioria não respeita as leis viárias)...
Às vezes chego a pensar que as pessoas acreditam que ao dar um ‘curtir’ no ‘Facebook’ ou escrevendo uma reclamação sobre a camada de ozônio em uma ‘fanpage’ de algum grupo que defenda o meio ambiente, estão contribuindo decisivamente para um mundo melhor. Pois mal percebem que estão na primeira ou segunda fase do ciclo do pensamento, e que até este ato causar algum impacto, são necessários mais alguns passos que geralmente são esquecidos.
Talvez isto se explique pelo grande dilema do ser humano: sua angústia existencial. As pessoas buscam palavras de conforto, não necessariamente a resolução dos problemas. Talvez elas não suportem o remédio (sou levado a crer cada vez mais nesta teoria). O remédio, após minimizar o enfraquecimento da doença, certamente fortalecerá o indivíduo. Mas não é este o objetivo hoje em dia. Por isso mais valem algumas belas palavras que não mudem nada, que uma ação que resolva o problema uma vez por todas.
Se você sabe o que deve ser feito, se sabe o que é certo e errado, se tem os meios (ou sabe ou de buscá-los), FAÇA! Não espere outro fazer por você. Não espere que dê sol ou que não caia chuva. FAÇA! Não se convença que se você não fizer, alguém o fará. Não importa se outra pessoa fará ou não: FAÇA VOCÊ! FAÇA SUA PARTE!
Se metade dos habitantes do planeta ajudasse uma única pessoa que estivesse em necessidade, não haveriam necessitados no mundo. Então pare de falar, e FAÇA!
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