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terça-feira, 10 de junho de 2014

Ética e vergonha na cara! Por Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho



“Ética não é um saber acabado. Não é uma tabela pronta. Se fosse, ela caducaria no dia seguinte”, diz o professor de ética da USP Clóvis de Barros Filho. Grande parte da angústia do homem moderno decorre das escolhas individuais que faz em nome da convivência em sociedade.



Clóvis nos brinda nesta maravilhosa palestra do Café Filosófico - Espaço Cpfl ao lado do filósofo Mario Sergio Cortella, com quem acaba de publicar o livro "ética e vergonha na cara!" (Editora Papirus).
Em sua exposição, o professor da USP definiu ética como “a inteligência compartilhada a serviço da convivência aperfeiçoada”. “Nossa sociedade pode ser melhor do que ela é. Há ética porque há liberdade”. Para ele, o conceito não pode ser interpretado como “autoajuda” nem pode ser enquadrado em “dez lições para ser feliz”. Pelo contrário. “Essa liberdade é também fonte de sentimentos desagradáveis, como a angustia. Você é livre, a vida depende de sua escolha, e isso não é fácil. É preciso atribuir valor às possibilidades de escolha. A má notícia é que, diferentemente da prova que o professor aplica, a vida não tem uma só resposta certa. Você é livre para criar uma hierarquia de valores.”

Em sua fala, Cortella observou que há diferenças entre “entender a relatividade das nossas escolhas” e “transformar a relatividade de escolhas em relativismo”. “Relativismo é achar que vale qualquer coisa”, definiu. Isso porque, segundo ele, a ética é um conceito que se aplica apenas ao grupo. “Não existe ética individual”. Para o filósofo, ninguém está imune ao que chamou de “fratura ética”. “Cada um tem um preço. Aceitar que paguem é uma escolha”.

Os estudiosos disseram ser normal abrir mão das nossas pretensões em nome do zelo da convivência. Quanto mais essa ideia é absorvida, concordaram, mais eticamente avançada será a sociedade. Um exemplo disso, lembrou Cortella, é a proibição do fumo em lugares públicos. “Decidimos coletivamente que em área coletiva é melhor não fumar. Abrimos mão de um prazer particular em troca do convívio”, lembrou Cortella.



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