Translate

domingo, 1 de junho de 2014

Pergunta 27: É possível conhecer a verdade sem questionar as coisas?


Talvez você responda imediatamente a pergunta acima com a velha máxima científica da ‘eterna dúvida’ sobre tudo. Sempre duvidar é a máxima da ciência, que muitas pessoas levam para todas as áreas de sua vida. Mas o tema é muito mais complexo do que parece.
Acreditar que nossa mente humana é capaz de compreender qualquer questão que se ponha diante de nós, e que encontraremos a verdade depois de muito esforço de pensamento, é uma ilusão. Para os que não acreditam desta foram, é aconselhável conhecer história e antropologia.
O ser humano é um ser simbólico. Isto quer dizer que ele busca sempre criar um ‘símbolo’, um significado para tudo à sua volta, independentemente de isto ser verdade ou não. Para o ser humano não importa a verdade, e sim que funcione, que tenha uma ‘lógica’ (ou seja, que o pensamento que você criou se encaixe com os outros que existem). Desta forma, não existe uma verdade... sempre existirão várias verdades. Prova disto (dentre várias outras) é a medicina, em diversos momentos da história em diversas culturas. Vários já foram os tipos de tratamento. Outros temos hoje. E ainda hoje (digo ainda por força de expressão, pois sempre haverá este ‘ainda’) a medicina se questiona sobre seus axiomas. Quanto já se falou dos benefícios dos antibióticos? Agora volta-se novamente para os probióticos, e questiona-se a eficácia dos anteriores... e assim vai.
Não estou afirmando que não exista uma verdade. Talvez exista. O que estou dizendo é que uma análise detida sobre as idas e vindas do ser humano, ao longo de sua história e da evolução da consciência prova que o homem parece estar constantemente correndo ‘atrás do próprio rabo’, e quando acredita ter encontrado a verdade, pouco (ou muito) tempo depois esta escorre-lhe por entre os dedos.
A ‘eterna dúvida’ científica tem seus méritos. Mas não devemos expandi-los para muito além da área científica (e mesmo nela, utilizar com precaução). Nossa mente humana certamente é incapaz de abarcar toda a complexidade que forma a natureza, o universo, a própria mente. Carl Gustav Jung lembrava sempre em seus livros que devemos questionar as descobertas humanas sobre sua própria mente, visto que a ‘máquina’ que analisa é ao mesmo tempo o objeto de análise... se houver algo nele (como um ponto cego), não seríamos capazes de enxergar. Ler a obra de Freud, em seu longo processo de autoanálise, esclarece muito bem este ponto.
Então não ser martirize na busca eterna de algumas ‘verdades’, que talvez estejam muito além de nossos desígnios. Não seremos (certamente) capazes de entender muitas das coisas deste mundo... e muito do que temos por verdade não passam de ‘verdades passageiras’ montadas para satisfazer nossa busca da verdade universal, inalcançável. A verdadeira verdade é aquela em que você acredita. É tudo um ponto de vista.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...