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sábado, 7 de junho de 2014

Pergunta 33: Caso você não tenha conseguido ainda, o que você tem a perder?




Você tem medo de tentar? Então você já perdeu. Pois só consegue quem tenta, e só erra quem faz.
Muitas pessoas tem medo de errar. Isto é um resquício da antiga visão do ensino, em que o erro era um obstáculo para o aprendizado. A visão moderna da aprendizagem leva em conta a importância do erro para se aprender, muitas vezes maior que a do acerto.
Eu mesmo cheguei a acertar diversas questões em concursos porque havia errado em concursos anteriores. Mas é claro que só o erro não basta: quando eu errava alguma questão, sabia que deveria estudar muito mais aquela matéria, ou pelo menos prestar mais atenção aos enunciados das questões.
O erro é um indicador do caminho a seguir. A precisão e a rapidez com que você atingirá seu alvo dependerá de como você será sensível ao que seus erros lhe disserem. Sobre isso, conheço uma história muito interessante de um garoto, da época em que eu ainda jogava bolinhas de gude (antigo, né???). O jogo funcionava assim:  fazíamos um círculo e colocávamos, cada uma das crianças colocava uma quantidade de bolinhas suas dentro dele. Calculávamos uma certa distância do círculo e fazíamos um risco. A partir daquele risco, cada participante podia jogar uma bolinha de cada vez, alternadamente entre as crianças. Quem acertasse e tirasse uma bolinha de dentro do círculo, tinha o direito de continuar jogando sua bolinha e tirando outras, até errar ou sua bolinha parar dentro do círculo. Ganhava quem tirava mais bolinhas, e acabava o jogo quando terminassem as bolinhas no círculo.
Só hoje percebo a estratégia daquele garoto, que sempre era a mesma: na primeira rodada, ele sempre perdia. Não acertava nenhuma bolinha: parece que mirava nas beiradas do círculo, como que para errar. Em geral, não ganhava nada. Mas a partir da segunda rodada, era covardia: quando chegava sua vez, ele acertava bolinha por bolinha dentro do círculo, até acabar todas, e nós, os outros garotos, ficávamos só olhando, incrédulos daquele espetáculo de perícia e concentração.
Ele não tinha medo de errar. No caso dele, era até de propósito: ele conhecia todo o terreno do jogo, o peso da bolinha (as bolinhas nunca tinham o mesmo peso, e ás vezes até seu formato não era totalmente regular)... enfim, o erro o preparava para acertar! Ademais o fato de eu ter vivido e comprovado deste momento lúdico que me ensinou muito para minha vida (comprovando muitas teorias psicológicas da necessidade das brincadeiras para as crianças), este fato me recorda sempre que antes de acertar, geralmente erramos, e muito. Melhor seria se não precisássemos errar (as vezes conseguimos, se tentarmos e tivermos sorte), mas errar tem que fazer parte de nossa rotina, as vezes mais do que acertar. A ilusão do eterno vencedor é uma fantasia televisiva, de algo que não existe na realidade. É desumano exigir-se de qualquer pessoa que sempre acerte, e nunca erre. Temos o direito de errar, assim como o dever de TENTAR acertar. Se fizermos a nossa parte, já teremos vencido, pois mesmo que tivermos má sorte e não consigamos atingir o objetivo, não terá sido nossa responsabilidade, e sim apenas destino. Pense nisso!

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