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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Pergunta 35: Qual a diferença entre RELIGIÃO e RELIGIOSIDADE?





Nenhuma religião (na acepção correta da palavra) prega ódio, raiva, vingança ou violência. Absolutamente nenhuma, e estou tranquilo ao afirmar isto. Mas então por que, em nome dela, tantas pessoas praticam as mais absurdas atrocidades?
Uma maneira simples de responder é através de analogias.
Vejamos uma faca: da mesma forma em que pode ser um instrumento muito útil (aliás essencial para melhoria e desenvolvimento da alimentação humana... diria indispensável) também pode ser uma arma branca mortal. Um avião que transporta um órgão para ser transplantado, ou dezenas de pessoas de um lado a outro do globo, é o mesmo que pode carregar toneladas de bombas capazes de matar milhares de pessoas. Um site da internet, que pode transmitir mensagens de paz e esperança pode ser o mesmo que divulga mensagens de racismo, violência ou pornografia.
Percebeu que são apenas ferramentas? E que podem ser usadas tanto para coisas boas quanto para ruins? Da mesma forma são as religiões, as ciências, e tudo mais criado pelo ser humano. Além disto as pessoas costumam confundir religião com religiosidade: a primeira está ligada a ritos, a procedimentos, a textos específicos, à aderência ou não a um dogma. Já a religiosidade está ligada à busca de um significado maior que as simples coisas materiais, está em agir de acordo com o que crê ser o mais correto (independentemente disto estar ou não escrito em algum lugar), está em acreditar que temos uma obrigação com o mundo, que vai além de nosso interesse próprio e pessoal. Mesmo quem é agnóstico ou ateu, afinal, acredita em algo (pode ser o próprio potencial do ser humano, por exemplo).
O ser humano é um ser simbólico. Tanto que a antropologia já o classifica não mais como homo sapiens sapiens, e sim como homo simbolicus. Precisamos acreditar em algo que nos dê significado ao que existe a nossa volta, seja uma religião, uma ciência ou qualquer outra coisa. O que faremos com este significado, estará muito mais voltado à projeção de nossos complexos e conteúdos interiores do que ao símbolo em si.
Não há dúvidas de que muito já se matou em nome da Igreja de Roma, ou em nome do Islamismo, ou de outras religiões. Frisa-se ‘EM NOME’. Isto significa que aqueles que agiram se arrogaram representantes de dogmas, o que não significa que a essência de seus dogmas os influenciaram ou defenderam suas atitudes. As pessoas podem ser capazes de se justificar e esconder-se por trás de qualquer filosofia ou teologia: palavras podem ser engendradas para dourar a mais amarga das pílulas. A mesma lei que prende o criminoso é aquela que absolve o culpado que tem um ótimo advogado. Por isto convido a qualquer pessoa a encontrar na Bíblia ou no Alcorão (falo destes porque os conheço), e mesmo na Torá, ou outros livros religiosos, algo que de alguma forma incite algum tipo de violência ou preconceito. Garanto que não encontrarão, se compreenderem por completo o significado dos conteúdos ali expressos.
Na essência, todas as religiões defendem o ser humano, com mais ou menos restrições através de seus dogmas. Permitem uma interpretação do mundo a partir de si. E como vivemos em um mundo de interesses, por vezes interesses podem ir contra a defesa do ser humano, fazendo com que muitas religiões sejam atacadas ou até utilizadas contra sua própria essência.

A melhor defesa que podemos ter quanto a isto é cultivar nossa religiosidade muito mais do que nossa religião. A religiosidade é a internalização, na sua vida, da essência do que você realmente acredita. Com ela, fica fácil perceber quando uma religião está sendo utilizada para beneficiar um ou outro. E permite que realmente ajamos em benefício do outro, como gostaríamos que agissem conosco.

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