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terça-feira, 10 de junho de 2014

Pergunta 36: É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?

Lembro-me de uma cena de um filme italiano, que me ensinou profundamente como o bem e o mal são duas faces da mesma moeda, e que na maioria das vezes, tudo depende do ângulo em que estamos vendo a questão.
Na primeira cena do filme, aparece um arbusto, de onde uma ‘mamãe’ passarinho joga seus dois filhotes para fora do ninho. Ambos caem e começam a piar bem alto, e a ‘mamãe’ passarinho voa para longe. Alguns segundos depois, passa um rapaz, que ao ver os dois filhotes na grama e o ninho no alto do arbusto, presume que ambos caíram dali, e os recoloca no lugar que julga ser o correto, e vai embora.
Aparentemente um final feliz, o mal vencido pelo bem, não é? Pois a cena seguinte mostra que isto é apenas um ponto de vista.
Após a saída do benfeitor, o ninho é atacado por uma ave de rapina (creio que uma água), que mata e come ambos os filhotes. E aí inicia-se o filme, que nada tem a ver com pássaros.
Meu professor de psicologia analítica à época (Dr. Waldemar Magaldi) antecipou-se à dúvida de todos e informou que naquela raça de passarinhos é costume a mãe fazer ninhos em arbustos baixos, e após uma certa idade jogar os filhotes na grama e cuidar dos mesmos dentro do arbusto, para que as aves de rapina não os vejam. E ao final, tentando fazer o bem, o rapaz acabou facilitando a morte dos dois filhotes, que tinham uma vida inteira pela frente.
Triste? Talvez não, da perspectiva da águia, que conseguiu seu almoço, quiçá o de seus filhotes também. Tudo é um ponto de vista. Sei que é difícil interpretar assim, especialmente quando o lado pretensamente ‘prejudicado’ é você. Mas a vida, a natureza, o universo, tendem todos ao equilíbrio. Com raríssimas exceções (que existem, e não podemos esquecer que existem), o mal e o bem se equilibram.
Há sim situações em que o mal e o bem se apresentam em forma tão pura e condensada, que chegamos a duvidar da existência desta regra. Em especial nas situações ligadas a grandes destruições, mortes, perdas de grandes dimensões e que alteram por completo nossa vida. Mas para estas, nada e nenhuma força temos. São demonstrações da vida para nós, sobre sua finitude e fragilidade. Não somos capazes de criar de imediato um significado para elas, ou se o conseguimos demoramos anos, décadas, até gerações. Mas servem para sermos um pouco mais humildes, desinflando nosso ego, frente aos grandes mistérios da existência, alguns dos quais incompreensíveis a nós.
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