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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Envelhecendo melhor - por Mirian Goldenberg - Antropóloga



A velhice não é um problema para quem não se preocupa apenas com beleza. Para muitos, é a chance de se libertar das obrigações da vida adulta e dar início a projetos e atividades criativas, diz a antropóloga Mirian Goldenberg. Quem investe muito na aparência vai ter uma velhice complicada, escreve Simone de Beauvoir no livro “A velhice”. Para a escritora francesa, é inevitável que o corpo se transforme, mas muitas pessoas, sobretudo mulheres, se transformam em monstros para disfarçar as mudanças inerentes à velhice.
“E para quem a velhice não é complicada? Para quem tem projetos de vida ou investiu em outros capitais. Por exemplo, para quem trabalha com a criatividade, como professores e escritores. Muitos descobriram na velhice a sua vocação”, afirma Mirian.
Nesta palestra do Café Filosófico, Mirian Goldenberg citou o exemplo de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Rita Lee e Marieta Severo para lançar um desafio: “duvido que alguém consiga encontrar neles um retrato negativo de envelhecimento. São pessoas chamadas “sem idade”. Fazem parte de uma geração que não aceitará o imperativo ‘seja velho’”.
Para a antropóloga, o trabalho com criatividade e a condução de projetos pessoais fazem da velhice uma oportunidade para a construção de uma nova vida. “Em meu trabalho, encontrei homens e mulheres que depois os 60 foram cantar em coral. mulheres que foram dançar. Que vão para as academias e vão fazer ginastica, ou pilates, e adoram fazer. Que curtem os netos, não por obrigação, mas porque curtem passear, viajar, levar os netos ao cinema. que fazem cursos, palestras, faculdades. e vão ao teatro.”
Ela diz identificar, no entanto, diferenças nas formas de encarar a velhice no discurso entre homens e mulheres. “O projeto de vida para os homens é mais ligado a atividades profissionais, mesmo não remuneradas, e às famílias. Eles sempre falam da família de modo positivo. Para as mulheres, não. As mulheres mais velhas não falam tanto de trabalho. O significado de vida para elas tem mais a ver com liberdade de escolha e coisas que não poderiam fazer antes. Para muitas delas o casamento foi uma espécie de prisão: elas tiveram de cuidar da casa, dos maridos e dos filhos durante muitos anos.”
Segundo Goldenberg, a chegada dessas mulheres à “bela velhice”, nome de seu livro inspirado na obra de Simone de Beauvoir, coincide com a libertação das obrigações dentro de casa. A sensação de liberdade tem início a partir dos 50 anos e se intensifica aos 60. “Aos 75 fica excelente.”


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