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terça-feira, 21 de abril de 2015

50 faces da Vida: 2 - nenhum poder supera a vida

Portugal (25/04/1974) - Revolução dos Cravos
Na Psicologia temos um termo que se chama 'inflação de ego'. Ocorre quando alguém que detém algum poder, em determinado momento, acredita ser capaz de definir por sua escolha o futuro e as consequências de suas decisões na vida de outras pessoas, e acredita que estas devem aceitar tal fato de forma inconteste, por ser assim que as coisas funcionam. Em geral estas pessoas nunca estiveram do outro lado ou, se estiveram, faz muito tempo. Em geral elas esperam ou a obediência ou uma implacável resistência, e contra a última já se preparam com todas as armas possíveis para, através da força, obrigar o outro a fazer o que quer.
Não entrarei no mérito da justiça ou não do emprego de tal força. Não falarei da necessidade ou não de haver tal poder. Tampouco aprofundarei na questão psicológica dos que são tão fracos de espírito que deixam o poder subir-lhes à cabeça (e olha que conheço bem de perto muita gente assim). Mas falarei de algo muito mais importante que os pseudonapoleões que encontramos todos os dias em alguns tribunais, em alguns legislativos e órgãos públicos, em escolas, em delegacias, no trabalho: a vida além do poder.
Nenhum poder supera a vida. Quando você sabe e sente que vive, e que está agindo de acordo com o fluxo natural da vida, nenhum fuzil representa uma ameaça. Mesmo que o outro atire, mesmo que ele lhe agrida, lhe prenda, lhe demita, lhe 'coloque à disposição', mesmo assim isto não tirará a sua certeza de estar agindo de acordo com a sua essência, de acordo com o que há de mais sagrado a você: a sua vida.

Como um orgulhoso descendente de portugueses, dou como exemplo a Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974 em Portugal. Neste dia a flor venceu o fuzil. Neste dia todos saíram de suas casas e comemoraram a vida. Neste dia, pelo menos neste dia, os 'poderosos' calaram-se, pois seu poder mostrou-se tão ínfimo que nada podiam fazer, nenhuma ordem, nenhum tiro, nenhum tapa, nenhum grito esconderia o que todos estavam vendo: que a vida e a dignidade humana estão acima de qualquer poder que alguém acredite que tenha.
Prefiro viver com as flores que com os fuzis. Deixo-os estes últimos acreditarem que os obedeço. Deixo que se iludam. Mas em todos os momentos em que a vida se manifeste, estarei eu ali, vislumbrando-a, auxiliando-a a ganhar o mundo, a mostrar a sua essência, a mostrar que nenhum dedo em riste é capaz de tocar um coração aquecido pela vontade e pela esperança.
Até amanhã!
Adilson Cabral
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