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domingo, 26 de abril de 2015

50 faces da vida: 3 - além do próprio umbigo

Um menino faminto e um missionário em Uganda
Com um mínimo de autopercepção e sensibilidade aos que estão à nossa volta, somos facilmente capazes de perceber que todos temos diferentes níveis de percepção da realidade, tanto a própria quanto a do outro. Temos no mundo desde pessoas capazes de se doar totalmente, incluindo a própria vida, ao bem estar alheio, quanto aqueles que acreditam que devem usufruir ao máximo de tudo que lhes é possível retirar do mundo e dos que estão ao redor.
Isto faz parte deste que é um dos exercícios mais difíceis da vida: saber conviver sem se sentir 'tentado' a participar do grande grupo que ainda não cortou seu cordão umbilical e acha que deve ser servido e nutrido pela sociedade que o acolhe.
A expressão "próprio umbigo" quer dizer muito mais do que aparentemente o faz. Inconscientemente nos lembramos de quando éramos totalmente nutridos pelo umbigo, pelo cordão umbilical de nossas mães... infelizmente muitos de nós não cortaram psicologicamente esta dependência, não cresceram nem se desenvolveram o suficiente para saber, perceber e sentir o sofrimento de outros que estão à sua volta.
Penso que talvez, muitos destes nem mesmo queiram perceber. Ignoram totalmente que há muitos a serem ajudados, que nem ao menos tem o mínimo suficiente para se poder dizer que vivem dignamente.
Não podemos julgá-los, apenas ignorá-los. Devemos focar nossa atenção e nossa ajuda naqueles que realmente precisam, e às vezes nem ao menos tem voz para pedir. A vida não é bela como alguns gostariam que ela fosse. Mas pode se tornar linda de ser vivida, se você a fizer assim. Ajudar a quem realmente precisa de sua ajuda não deve ser uma busca de algum lugar no céu ou no paraíso: deve ser sua retribuição pelo quanto a vida lhe nutriu até hoje. 

Estender sua mão para outra que esteja mais frágil e desprotegida é dar um significado à sua própria vida. Afinal, somos seres simbólicos: não há outro alimento que nos preencha realmente que não seja o verdadeiro alimento à alma, à psique, à nossa essência, ao Self. Significar, no sentido de fazer sua vida valer à pena, só ocorre quando você faz a diferença na vida de outra(s) pessoa(s). Quando se é egoista, e se vive pelo mínimo esforço, não se é muito diferente de uma pedra, com uma única diferença: a pedra ainda pode ter sua utilidade... o egoísta não faz mais que ocupar espaço.
Até amanhã!
Adilson Cabral. 
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