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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

50 FACES DA VIDA: 6 - O AMOR E A CUMPLICIDADE

Os túmulos unidos de uma mulher católica e seu marido
protestante na Holanda, em cemitérios separados.
O amor. Alguns dizem que é mera projeção. Outros que é infantilidade. Mas é impossível passar pela vida sem, por algum instante que seja, tê-lo sentido por alguém ou algo, desejado-a(o), movido montanhas, mares e céus para aproximar-se e tê-la(o) junto a ti. 
O amor possui diferentes nuances. Ele é fluido, não é fixo, nem rígido. Ele evolui algumas vezes, outras retroage. Diria Freud que, não obstante ser capaz de distorcer nossa visão da realidade, é o impulso à vida, que se contrapõe a Tânatos, o impulso da morte. É o que nos faz querer continuar, prosseguir, perseguindo e buscando o que nos falta. Este o ingrediente básico do amor: o que nos falta.
Há o amor Cairótico, o amor Platônico, enfim, várias formas de amar. Algumas delas, como o amor paranóico (ter a qualquer custo o que deseja, mesmo que venha a destruir o objeto do amor, para que outros não o tenham) mais prejudicam que ajudam no crescimento interior e espiritual das pessoas, incluindo de quem ama.
Mas pela minha experiência, posso dizer, sem medo de errar, que toda relação de amor saudável, que permanece às piores tempestades, que desenvolve o espírito, que preenche o coração, sempre possui como ingrediente básico a cumplicidade.
O verdadeiro amor é um pacto entre você e o que/quem você ama: um pacto de que nenhuma barreira estará acima do quão bem você quer a ele/a. Um pacto de vida, no qual ambos: objeto do amor e amante, criam um mundo próprio onde podem protegerem-se e fortalecerem-se da aspereza e insensibilidade do mundo à sua volta.
O amor denota uma sintonia, em que ambos, mesmo sem que seja dito, sabem e pensam o que o outro quer, busca ou precisa. Denota confiança, por saber que o outro objetiva chegar exatamente onde você também quer estar. Significa uma extensão do próprio ser, em outra pessoa. É ver-se no outro como se ambos fossem apenas um só. 
Cumplicidade: palavra que está mais próxima dos crimes do que do amor, em português. Mas estaria eu errado ao dizer que mais parece hoje ser um crime ser cúmplice do seu amor, do que querer aproveitar-se do outro, em busca apenas da realização dos próprios desejos? Não seria o hedonismo hoje o grande mal moderno? Quantos hoje seriam capazes de se sacrificar por aquilo/ aquele(a) a quem ama?
No verdadeiro amor, a cumplicidade se sente, não precisa ser dita. 
Enquanto se buscam 'amores' em bares e em classificados, para saciar os próprios desejos, faltam no mundo aqueles/aquelas dispostos a sacrificar-se conjuntamente em torno de idéias, objetivos, crescimento, espírito. Faltam aqueles que querem contribuir, enquanto sobram os que só querem soluções. Faltam cúmplices. Talvez por isto falte amor.
Até a próxima face da vida... (e desculpem a demora em retornar aos posts).
Adilson Cabral.
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