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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

50 FACES DA VIDA: 7 - O NASCER E O PÔR DO SOL

Pôr do Sol em Marte
O nascer e o pôr do sol são as imagens arquetípicas mais intensas dentro do ser humano. A tal ponto tocam nosso inconsciente que desconheço alguma pessoa que, frente a qualquer um deles, não sinta algo de diferente, que não consiga explicar, uma mescla de sentimentos profundos que nossa consciência não é capaz de alcançar.
Ambos são simbolismos que nosso inconsciente bem conhece. Representam em si mesmos o passar do tempo, e principalmente (talvez o que mais nos toca) o quão pouco tempo temos nesta terra que habitamos.
Antropólogos podem até afirmar que trata-se de resquício do medo que nós, quando éramos primitivos, tínhamos da noite, ainda antes de dominar o fogo, e que o nascer do sol representava um novo nascer, mais uma noite que sobrevivemos... sim, esta pode ser mais uma explicação, mas não me contento com ela.
Ambos me encantam. Mas confesso que vejo o nascer do sol como algo muito mais intenso. O dito popular diz que os minutos antes da aurora são aqueles em que a noite é mais escura e fria... e posso comprovar que não se trata apenas de uma expressão.

O sol nascerá todos os dias, estejamos aqui nesta terra ou não. Ele já nascia há milhões de anos, e continuará a nascer depois que nos formos. Acredito que é no nascer do sol que nasce toda a esperança humana. Tenhamos aprendido ou não isto quando éramos primitivos em uma floresta, o nascimento do sol é como um compromisso do mundo, do universo, sendo cumprido ali na nossa frente. Um compromisso cumprido conosco, com cada um de nós, de que haverá vida por mais um dia, pelo menos, e que as sombras da noite nos deixarão livres por mais algumas horas.
Talvez diria Jung que, como toda projeção, nos emocionamos ao ver o sol nascer porque ele nos lembra algo nascendo dentro de nós. E que um sentimento de perda nos toma ao ver o sol se põe, porque também, mesmo que inconscientemente, lembramos que algo morre dentro de nós, a todo momento. É o ciclo da vida, o que há de mais básico a se entender deste mundo enquanto estivermos nele: nascemos, morremos. Algo que surge hoje, pode ir amanhã. Saber disto não nos diminui a dor, mas saber apreciar este grande mistério do universo talvez nos dê ânimo para esperar o nascer de amanhã de manhã.
O mundo tem seu ritmo, sua frequência... o "anima mundi" (alma do mundo) é percebida e sentida por nosso inconsciente, mesmo que nossa vida "moderna", "pseudossaudável" esteja tornando-nos insensíveis às mais simples e profundas sensações e percepções que nos cercam minuto a minuto.
O Sol nasce para todos. Mas diria que nem todos nascem para os Sol. Ele estará ali, brilhando, mesmo que você não perceba, mesmo que haja nuvens encobrindo-o, mesmo que você não queira vê-lo. Ele brilha. Aquece. Ilumina. Dá vida. 
Assim como a Lua influencia as marés e muito mais (diria eu), o Sol faz sua parte, guiando-nos e mostrando-nos o tempo passar. Queiramos ou não, o tempo passa, e passará. E mesmo que tentemos esquecer que ele passa, devemos lembrar que vida é movimento, e que estamos indo para algum lugar, consciente ou inconscientemente. A questão é se haverá tempo para chegarmos onde achamos ou desejamos chegar.
O Sol saberá. E nascerá todos os dias para lembrar-nos que um novo dia começará. 
Até o próximo post...
Adilson Cabral.

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