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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PRAZER, ESTE SOU EU! (A NECESSIDADE DAS PESSOAS DE CONTROLAR OS OUTROS)

Olá. Este é um post especial, e espero que todos que me conhecem (a mim, Adilson), e em especial os que acreditam que me conhecem, o leiam na íntegra no site Psicologia.med.br. Até o final, friso, porque tenho muito a falar antes de chegar no ponto essencial deste texto.
Duas palavras podem resumir o assunto desta postagem: Maktub e Carpe Diem, e irei trata-las delas sob uma perspectiva muito personalística, até porque minha história pessoal é muito diferente da sua ou de qualquer outra pessoa (parto do princípio pétreo para mim de que todos somos diferentes em nossas histórias, pensamento, interpretação do mundo, apenas iguais na essência, e aí está a beleza da vida).
Pela minha origem, estas duas palavras (uma de origem árabe e outra do latim), apesar de apresentarem conceitos aparentemente distintos, se unem em um grande significado. Sou de origem portuguesa (descendente de portugueses, o que meu sobrenome Cabral me traz de muito orgulho) e, para quem não sabe, por muitos séculos até meados do século XVI, Portugal e a península ibérica estava sob domínio mouro (muçulmano), o que significa que também trago em mim muito respeito e sangue árabe, e isto me permite especial olhar crítico sobre minha cultura ‘ocidental’, ainda mais quando vista sob a visão dos costumes antigos (que por sua simplicidade permitem que analisemos com mais profundidade o ser humano (que a cada dia parece querer esconder mais e mais sua verdadeira essência, principalmente o que há de pior em si). Esta tentativa humana de tentar esconder seu pior, como sabemos na psicologia do inconsciente, produz exatamente o contrário: a cada dia vemos as pessoas expressarem o pior de si, seu egoísmo, sua infantilidade, sua falta de responsabilidade com os outros e com o mundo, sua falta de honra, de palavra, enquanto tenta passar uma imagem evoluída que a própria pessoa tenta acreditar que existe, mas que seu travesseiro à noite não lhe deixa esquecer.
Já fiz alguns posts aqui no Psicologia.med.br sobre o Carpe Diem, confira, mas resumidamente, sua tradução é “colha o dia”. Os antigos tinham palavras que tentavam definir todo um costume, toda uma história, e que muitas delas, ao se perderem no tempo, tentavam resumir amplos conceitos e filosofias de vida em poucas letras. Carpe Diem é uma delas. Sua filosofia de vida perdeu-se na antiguidade, mas seu conceito é por demais amplo, que permite tanto sua interpretação para o lado do laissez-faire, quando o da responsabilização pelo que está fazendo agora, com relação ao que espera do mundo amanhã. Fico com o segundo significado, pois, analisando-se um pouco da história de Roma, é a que melhor se coaduna com os costumes que podemos ali ver, como no livro “A Cidade Antiga”, de Fustel de Coulanges .

Colha o Dia. Hoje você irá colher o que plantou ontem, e amanhã o que plantou hoje. Mas não interprete de uma maneira fatalista. Às vezes toda uma chuva forte ou a falta de chuva poderá destruir sua colheita, ou então você poderá colher muito mais do que esperava. Mas o que interessa aqui é sua força para plantar e colher. As pessoas costumam, ao interpretar o Carpe Diem no resultado (como em tudo nos dias de hoje) e esquecem que o mais importante é o que você está fazendo agora! Está plantando? Então como quer colher? Todos querem ser ricos, mas quantos estão trabalhando para isto? E o que planejam fazer com o dinheiro se ele chegar em uma ‘grande colheita’? Faltam objetivos. As pessoas só querem a colheita, e esquecem que o mais importante não é a chegada, mas o caminho percorrido. A forma como você percorre seu caminho pode destituir de qualquer honra e significado sua vitória no final da grande corrida da vida, não se esqueça disto!
Complementando o Carpe Diem, tenho para mim o Maktub, um provérbio árabe (lembrando minha origem moura-árabe – a partir da minha linhagem portuguesa) que significa “está feito, estava escrito”. Significa que o que tinha que ser, foi, é e será. E novamente aqui as pessoas dão outra interpretação a esta filosofia de vida, resumindo-a a um fatalismo de “pouco podemos fazer ante a vontade de quem tem mais poder que nós, seja Deus, Alá (no caso), ou nos dias de hoje, os ricos e poderosos, incluindo-se aí desde os políticos até nossos ‘chefes’”.
Muita coisa realmente está escrita e deverá se cumprir. Mas você realmente está preocupado(a) com isto? Te importa tanto o resultado (que está escrito) ou a forma com que chegaremos até ele? Muitas vezes vejo as pessoas ‘acreditarem que sabem’ o que está escrito, e vivem aturdidas na vida procurando isto ou aquilo, que na realidade nada mais é do que buscar formas de passar o tempo até que aquilo que deveria (e vai) acontecer realmente ocorrer, e do que ela tenta, mentalmente fugir, e que sabe, dentro de si, que irá acontecer. A colheita, ou a falta dela, virá, dependendo ou não do que plantar hoje ou do que plantou ontem, mas novamente, está você preocupado(a) com o seu dia de hoje? Tenha certeza de que lá em cima, o que está escrito no livro não é tão rigoroso a ponto de fazer-nos meros atores no teatro da vida. Você escolhe como viverá seu papel, mas se tiver um pouco de sensibilidade saberá como sua personagem atuará na história e o papel dela para que a grande cena ocorra, como está escrito.
Trazendo para a psicologia analítica (apesar de ser apenas um ponto de vista distinto do mesmo fenômeno do parágrafo acima), está tudo realmente escrito no seu inconsciente. Você pode ou não querer conhecer o script, mas você invariavelmente cumprirá, queira ou não, grande parte (se não tudo) do que está escrito ali. Você realmente não pôde escolher qual papel seria o seu. Mas você pode (e deve, se quer ter um pingo de dignidade humana) escolher como exercerá seu script, e o primeiro passo é ter conhecimento dele.
Poderia falar horas e horas sobre os dois conceitos antigos acima (pois são grandes filosofias de vida), mas tive que tomá-los no texto muito resumidamente para chegar onde queria: falar do egoísmo e da vontade das pessoas de quererem controlar os demais.
Não tenha dúvida do porque ambos ocorrem: é o desconhecimento (e a vontade de continuar a desconhecer) do próprio script de vida pelas pessoas. (Este termo, script é muito utilizado em Análise Transacional, também conhecido como Terapia Radical nos Estados Unidos, do grande mestre canadense Eric Berne, e também muito se liga aos conceitos que descrevi acima). Aliás, um grande abraço para minha primeira terapeuta, Dra. Anamaria Cohen, uma das primeiras a trazer esta terapia ao Brasil, juntamente com Roberto Shinyashiki.
As pessoas que nãos sabem o que estão fazendo neste mundo, qual seu papel frente à sociedade e às demais, acreditam diminuir esta sua angústia existencial controlando as demais pessoas. Esquecem que as demais pessoas, conscientemente ou não, também tem seus scripts a cumprir. E acabam, não apenas atrapalhando a vida dos demais, pelas suas projeções e incompetência para lidar com seus próprios medos e angústia, como não progridem emocionalmente e psicologicamente.
Vejo cada dia mais este tipo de pessoa. Mas, particularmente, percebo que pessoas que estão conscientes do seu script e procuram cumpri-lo (cumprir seu papel social na vida das demais pessoas) são encaradas como uma afronta pessoal pelo tipo acima. Noto que as pessoas que tem palavra, mantém sua honra pessoal, buscam fazer o bem e ignoram os ‘joguinhos psicológicos’ destas pessoas, são o alvo principal da ‘fúria inconsciente’ destas ‘crianças emocionais’. Por mais polidas, por mais bem treinado que seja seu vocabulário, por mais discretas que estas ‘formas não evoluídas de consciência humana’ sejam e tenham, basta um pouco de percepção de quem leu um pouco de Freud e/ou Jung para saber claramente quando está sendo alvo de projeção dos problemas internos de pessoas infantilizadas. São pessoas que não suportam aquelas que, ou por terem feito anos de análise e adquiriram um Ego suficientemente forte e consciente para buscar cumprir seu script social independentemente da vontade e do querer dos demais, ou então porque conseguiram evoluir sozinhos e naturalmente assim.
Vejo cada dia mais as pessoas que lutam por um mundo melhor, sacrificando-se em nome de ideais justos de forma independente de qualquer grupo ou interesse pessoal em qualquer questão, sendo alvo destes ‘donos de pequeno poder’. Gosto muito de citar este termo, o ‘pequeno poder’, o qual aprendi (e agradeço o aprendizado) à FGV de São Paulo, durante meu tempo de formação na Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, em 2012. ‘Pequeno poder’ é quando alguém que controla algo que, para você que tem consciência do que é importante e do que não é, e esta pessoa faz o possível para tentar controla-lo e te afetar, somente para tentar acalmar sua ânsia inconsciente de controle (que na realidade ela não tem, em tem medo de descobrir que não manda nem mesmo dentro de sua própria mente, dentro de sua própria casa).
Vejo cada dia mais demonstrações deste pequeno poder. Isto significa que cada vez mais as pessoas estão distantes de seu foco central, da busca pelo melhor caminho em vez de só ficar olhando onde se quer chegar. De cumprir seu papel na Terra, seu script, independentemente de acreditar se quem o definiu foi Deus, Alá, Jeová ou seu inconsciente. Pouco importa o nome que você dá. Mas sozinho, antes de dormir, em seu travesseiro, você sabe que tem algo lá, e que se não está escrevendo, já escreveu como será sua colheita amanhã. E só por isto você deveria não querer acordar cedo amanhã de manhã para colher o que plantou? Claro que não. Cada um no seu papel.
É aqui que queria chegar. Se você tem um papel a cumprir, cumpra-o. Não importa o que estão dizendo a você, se você realmente acredita que o que faz é o certo. Cada dia mais você verá pessoas te criticando, achando que você é crítico demais, nervoso demais, que não as obedece, que não é o caminho da maioria, ou que é antissocial (somente porque não quer cometer os mesmos erros que a maioria está cometendo). Vão tentar te controlar seja através da força (do uso de seu ‘pequeno poder’), ou de psicologia emocional, apelando para o dinheiro, para sentimentos (a culpa, o medo e a vergonha são os principais, como aprendi com a Dra. Anamaria Cohen).
Ignore. Seja inamomível na sua busca por cumprir seu script. Pode ser que ele tenha que ser atualizado em determinado momento, sim, pode. Mas só você saberá quando isto será. Não acredite que quem o tenta controlar sabe o que é melhor para você, pois quase sempre estas pessoas nem sequer conseguem controlar suas próprias vidas. Que elas plantem para colher o que quiserem. Você é responsável por sua colheita. E se estiver escrito, é para você que estará, e isto te faz especial.
Pessoas determinadas em cumprir seu script causam um medo inconsciente nas demais pessoas. Elas não entendem como esta pessoa pode ser ‘tão focada em algo’, ou, sempre, ‘como ela pode se sacrificar tanto por algumas coisas’. E pressentem que ‘tem algo que não sabem’. Na realidade elas mesmas fogem da verdade, de si próprias.
Não fujo de ninguém e nada, porque não fujo de mim mesmo. É o melhor (talvez o único) jeito de viver sendo honesto consigo mesmo, respeitando o livre arbítrio dos demais.
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