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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

OUVIR E AGIR PELO INCONSCIENTE: A FORÇA MUITO ALÉM DA RACIONALIDADE

Se a maior parte das pessoas soubessem o tamanho da força de seu inconsciente (considero SEU inconsciente pois, mesmo sendo coletivo em grande parte, compartilha e dá de si parte da totalidade) talvez muito do que ocorre no mundo não aconteceria, pelo menos da maneira como ocorre e sempre ocorreu. Creio que teríamos pessoas mais contemplativas da vida, menos falantes e mais ativas. Alguns analistas da área acreditam que seria pior, pois o inconsciente guardaria (pelo menos na visão Freudiana, em grande parte) tudo que há de pior na raça humana... claro que nós junguianos discordamos frontalmente disto, e este é o ponto que nos separa das demais linhas da psicologia profunda. Lembro da velha máxima muito citada por Jung "orai e vigiai", esta é a única forma de lidar com o inconsciente. De ambas as formas (conscientes ou inconscientes do grande mar que nos leva), seremos levados por ele... sim... mas a 'individuação' (processo de evolução da psique individual) somente se dá quando participamos conscientemente do processo.
Fazendo-o, também estamos colaborando para o aumento da consciência coletiva, eis que há aí um grande sacrifício individual em prol dos demais (que não espere ser valorizado, muito pelo contrário...). Hoje e nos últimos dias, ocorreu diversos acontecimentos 'sincrônicos' para mim, reencontrando diversas pessoas que participaram e foram importantes em momentos passados em minha vida. 
O último foi a poucas horas atrás, e me deu a certeza que, como Jung sempre aconselhou, ouvir seu interior, seu coração, seu inconsciente, é a melhor forma de não errar, na busca da evolução de sua psique (e contribuir para a evolução do pensamento coletivo como um todo). Ouvir o inconsciente certamente o levará para caminhos tortuosos, e muito comumente trará a dúvida se estará no caminho certo. O inconsciente é, em si, uma grande e eterna dúvida para a consciência. Quantas vezes me martirizei por uma decisão que meu inconsciente praticamente me 'ordenou', mas minha consciência não a entendeu, com sua lógica superficial e de curto prazo.
Hoje tive a certeza de que em vários momentos no passado, o que poderia ter sido considerado um grande erro (e o foi considerado, por muitos ao meu redor, quando tomei determinada atitude), na verdade foi um dos maiores acertos de minha vida. Mas somente hoje, três anos depois, pude comprovar que estava e estou no caminho certo. Faz parte da forma de agir do inconsciente. Talvez determinadas coisas nunca saberemos se agimos corretamente ou não, pois a consciência não se sente segura sendo guiada por alguém que não conhece e não vê (mas que na realidade a carregou nos braços desde que nasceu, e a colocará no berço do eterno descanso momentos antes de se agregar à grande energia vital do Universo)... nunca esqueça: o consciente não se sente confortável com o inconsciente, com sua forma de agir, mas se souber ouvi-lo, agregará a si um conhecimento, uma percepção, uma sensibilidade para a vida e para as pessoas que vem de muito antes da criação da raça humana, e que nós, humanos 'modernos' em grande parte esquecemos e deixamos para trás. 
Uma coisa é certa: ouvir seu próprio interior, ouvir seu próprio inconsciente, é algo extremamente mais didático, mais importante para sua evolução psíquica, que ouvir os que estão à sua volta. Muitas vezes estamos cercados por 'surdos de seu próprio interior', que não apenas não conseguem ouvir suas próprias vozes, mas também não toleram perceber que outros o conseguem. Os caminhos do inconsciente muitas vezes são muito tortuosos, quase impossíveis de se compreender racionalmente, mas são os verdadeiros caminhos da evolução psíquica. Segui-los significa abrir mão de querer ser bem visto pelos demais... por esta mesma razão, a destruição da 'persona', a carapaça do ego que todos criamos, e que é a primeira etapa de toda análise junguiana antes de seguir-se com a análise da sombra, requer uma posterior 'reconstrução' de uma nova persona, moldável, 'retirável', para permitir ao analisando um mínimo de convívio social, diminuindo-lhe eventuais "choques" com o "socialmente aceitável e desejável" que impera em nossa grandemente hipócrita sociedade. O tamanho desta hipocrisia se agiganta aos nossos olhos na medida em que percebemos a ação do inconsciente coletivo e sua força tentando-nos impor, contra nossa verdadeira vontade, um caminho que não é o que seguiremos na nossa evolução psíquica-espiritual.
Feliz por ter agido com o coração, com o inconsciente (em trabalho com o consciente), mas triste por ver como outros não tiveram a mesma visão que eu no passado... é assim que me sinto em meu trabalho diário com o inconsciente, dia a dia, e hoje ao reconhecer uma grande decisão tomada três anos atrás, que me remoeu por meses, e que hoje me tranquiliza. Que pena que as pessoas deixam o poder, o dinheiro, a arrogância e seus medos interiores controlar-lhes, e nisto acaba atrapalhando e as vezes impedindo a evolução das demais pessoas que nada tem a ver com seus problemas.
Mas não desanime, você que trabalha para evoluir e ajudar os demais a fazer o mesmo. Faça sua parte que será o bastante. Seu inconsciente faz parte do grande inconsciente coletivo que cerca toda a humanidade. A decisão tomada três anos atrás, também foi tomada cinco, sete, dez anos atrás, não sem o mesmo medo de dar errado, a dúvida se estaria fazendo a coisa certa... mas a experiência da vida lhe vai mostrando que, indo com fé, com a verdadeira audição da voz interior, você estará fazendo o certo, independentemente do que lhe disserem ao redor, e mesmo do que suas próprias dúvidas lhe atormentarem. Siga seu coração, siga seu inconsciente, que nenhuma outra força externa será capaz de demovê-lo(a) do caminho de sua individuação, do seu encontro com si mesmo(a), do SELF (vide outras postagens aqui sobre este conceito), do caminho que foi escrito para que você, e somente você, percorresse. 
Siga em frente, sem medo. 
Adilson Cabral
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