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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

RELACIONAMENTO SAUDÁVEL #19: NÃO SOU SEU(SUA) FILHO(A)

Muitos diriam que isto é mais comum em relacionamentos entre pessoas com grande diferença de idade, porém eu digo que é algo já disseminado em muitos relacionamentos doentios, até mesmo naqueles em que nenhum dos pares possui filhos. Projetar no outro seu filho(a) significa tratá-lo de modo infantil, como se ele(a) não fosse capaz de tomar suas próprias decisões ou de ter opinião própria. Tem relação com o post anterior em que falei sobre regras iguais, e de casais em que um assume o controle e o outro aceita obedecer... mas no caso aqui falamos de mais do que controlar... Neste tipo de projeção, por mais que a outra parte diga o que pensa, o que deseja, o que quer, o que espera da relação, nada será ouvido por quem projeta. É como se fosse uma relação mãe-filho, pai-filha: pode até tratar com carinho, mas a palavra final do que é bom ou não para ambos será sempre de quem manda, que nem de longe está disposto(a) a discutir alterações ou cessões de seus planos e projetos. Este caso pode se tornar seriamente doentio se a pessoa que recebe a projeção aceitar ser tratada dessa forma, porque terá sua individualidade esmagada dia a dia por alguém possessivo, controlador, e que para piorar, não verá nada de errado em suas ações, em seu comportamento. Projeção dificilmente se cura sozinha... geralmente está ligada a aspectos da infância, à forma extremamente boa ou ruim com que foi tratada por um (ou ambos) de seus pais, mas dos quais a pessoa que projeta não soube separar de sua própria personalidade durante o seu desenvolvimento. 
Nesse processo, para quem projeta, o outro não é alguém com uma individualidade própria, desejos, sonhos, vontades... é alguém que tem que me obedecer porque só eu sei o que é bom ou não para ela. É alguém que me deve respeito, fidelidade e amor eterno pelos 'sacrifícios' que eu faço por me preocupar 24 horas pelo seu bem estar (como se o par não fosse capaz de cuidar de si sozinho(a)), e se o outro  questionar seus planos e ações, quem projeta utilizará a arma que mais sabe usar: tentará incutir culpa. Falará dos sacrifícios que fez pela outra parte, irá chorar, tentará colocar as coisas como se quem não aceitou seus planos e vontades fosse um(a) ingrato(a) e insensível. Sua tentativa, caso logre êxito, só tem um objetivo: anular a personalidade da outra parte para que se torne eternamente um bebê dependente, repetindo a relação doentia que teve em sua infância. Se está em um relacionamento assim, a menos que a outra parte aceite um tratamento psicológico (individual ou uma terapia de casal), esteja você consciente que não é um relacionamento saudável, e decida se vale a pena continuar ou não.
Até o próximo post!
Adilson Cabral.
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